quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Quero ser grande

Resgatei uma materinha que fiz na faculdade...



Uma Maratona de jogos, excursões por países como Itália, Finlândia, Alemanha, Japão e Noruega, e mais de 170 títulos internacionais conquistados. Embora possa parecer, a equipe em questão não é nenhum esquadrão milionário da Europa e sim, um pequeno time de garotos localizado na periferia de São Paulo: Os Pequeninos do Jóquei.



A referência “ hípica” do nome não é por acaso, ela faz referência ao princípio quando em 1970, o ex-jóquei José Guimarães Júnior, afastado das pistas devido a um acidente, recebia inúmeros pedidos de apoio de meninos carentes para iniciarem no Turfe. A solução: o futebol, que ao invés de uma poderia garantir 22 vagas. E foi assim que o projeto começou, com dois times e o pequeno apoio do Jóquei Clube de São Paulo.



Hoje, 800 crianças de 5 a 16 anos recebem atentos e como verdadeiros filhos os ensinamentos do Seu Guima. Entre elas 240 pertencem as comunidades carentes de bairros como Paraisópolis, Jardim Colombo e Vila Sônia, que além de aprenderem futebol fazem parte de um projeto de inclusão digital. A intenção é clara, “formar cidadãos”. Mas também muitos jogadores já saíram dos campinhos da chácara. Entre eles, chegaram à seleção brasileira André Luis, Júlio Batista e Zé Roberto.



Aliás, o meio campista que defende o Bayer de Munique, chegou aos Pequeninos aos 7 anos e só saiu aos 16. O jogador guarda boas recordações das lições aprendidas na época: “Me sentia como se fosse em casa de tão a vontade que eles me deixavam. Por isso desde criança eu sempre aprendi ali o quanto é importante a disciplina, o seu Guimarães sempre nos incentivou a tira boas notas na escola”.

E não é exagero algum dizer que os Pequeninos são como uma grande família. O apoio dos pais é fundamental no dia a dia. A grande maioria dos treinadores são justamente pais de jogadores, que também colaboram com a organização e muitas vezes promovem rifas e festas para arrecadar fundos para as viagens. Já nas arquibancadas viram fãs, comentaristas e árbitros.



O outro terrão



Domingo de manhã e os campinhos meio terra e meio grama estão cheios. No momento, dois torneios são disputados simultaneamente, o Campeonato Estadual (IDEF) e a Copa Cuebra. Em um deles, os Pequeninos enfrentam o Grêmio Barueri e meninos de apenas 9 anos, disputam uma partida que está bem longe de ser uma brincadeira de crianças. Eles correm, marcam e dividem com uma preocupação quase profissional.



Ao lado, garotos um pouco maiores ouvem atentos a preleção de seu treinador que destaca a importância a atuação dos volantes.“Quem tem que armar as jogadas são vocês!”. Pelo visto, os Pequeninos já pensam na renovação da mais discutida posição do futebol atual.



Esta molecada boa de bola poderia ser um grande atrativo para olheiros e empresários, mas esta situação é tratada com atenção por quem vive o dia a dia no clube, e a entrada chega a ser proibida para estes agentes “ Existe um tipo de parceria com o São Paulo, quando um menino se destaca, o próprio Guimarães o indica. E quando um menino é convidado para fazer um teste em algum clube, ele também, pessoalmente, dá orientações”, afirma José Carlos, coordenador das categorias.



O assédio acontece também durante as excursões pela Europa, times como Benfica de Portugal e o Ajax da Holanda observam, mas dificilmente levam os pequenos craques diretamente para os times. “Poucos meninos saem diretamente para o exterior, pois tentamos não deixá-los sair tão precocemente do Brasil”, completou.



Os Pequeninos na Norway Cup:



4.000 jogos, 380 árbitros, mais de 1500 times. Há 35 anos, agosto, auge do verão europeu, é o mês da Norway Cup, uma das maiores competições do planeta, que acontece na capital Oslo e reúne times de mais de 40 países. Mais que um campeonato de futebol, o evento é um verdadeiro intercâmbio cultural e vai muito além do sonho de ser um ídolo do futebol.



A história dos Pequeninos se confunde com a da Copa e a presença deles hoje é quase que indispensável. Desde 1982, ano que participou pela primeira vez da competição, seu Guima e seus meninos trouxeram mais de 20 títulos em diversas categorias. Em 2007, 44 jogadores viajaram à Noruega e os meninos do sub-16 foram longe, venceram os senegaleses do Diambars na semifinal e o time norueguês Hvik Halden na final. Mais um troféu para a sala que já estava lotada.



Vinícius, craque do time, ainda sonha com uma vaga em alguma equipe profissional, participa pela terceira vez da Norway Cup e se sente gratificado pela experiência. O menino que ainda tenta uma vaga garante que a cada ano “as equipes se tornam mais competitivas”.

Outro “pequenino”, Vítor Angi, viajou à Noruega pela primeira vez. Sua categoria foi eliminada nas quartas-de-final também pelo Diambars. O menino se diz encantado com a experiência mas reclamou dos “estranhos” hábitos alimentares noruegueses “Aqui eles só comem pão, patê e salsicha”.



Viagens, conhecimento, contato com outras culturas. O que se sabe é que a maioria destes garotos não chegarão a se tornar craques. Mas as experiências vividas no Pequeninos do Jóquei e as lições de respeito e responsabilidade de seu Guimarães ficarão para sempre em suas vidas. “Eu posso dizer sem medo de errar que a grande base da minha disciplina ate hoje veio do aprendizado que obtive na escolinha Pequeninos do Joquey”, Zé Roberto.



Como se pode notar o Pequeninos representa muito mais que um possível celeiro de craques. Ele agrega conceitos, famílias, desenvolve homens acima de qualquer coisa e parece ser um farol na escura realidade de muitos meninos brasileiros.



Informação



Os meninos dos Pequeninos do Jóquei são divididos em cinco categorias: Mamadeira (nascidos em 99), Fraldinha (nascidos em 97), Dentinho (nascidos em 95), Dente (nascidos em 93) e Dentão, os mais velhos (nascidos em 91). Cada categoria ainda é divida pelo nível de seus atletas em “Guima”, “Peralta” e “CPJóquei”, esta é geralmente a mais qualificada e que representa o clube nas competições internacionais.

domingo, 9 de agosto de 2009

Seu time não será campeão

Conversa de buteco (que eu ouvi neste final de semana): “ Não existe campeonato mais equilibrado do que o brasileiro”. Esquece-se, o Campeonato Brasileiro mudou. E quantas vezes já se falou sobre esta história.

A hegemonia de algumas equipes é comum em torneios de pontos corridos. Um processo natural, observado nas competições europeias adeptas da fórmula há tempos, mas ainda não absorvido pelos torcedores brasileiros, que acreditam sempre que seu time será campeão.

No domingo, a torcida do Coritiba vaiou seu time no Couto Pereira, na derrota por 3 a 1 diante do Cruzeiro, durante todo o segundo tempo. Pedem a demissão de René Simões. Mas qual seria a posição justa para o time da capital paranaense na tabela?

Enquanto isso, o São Paulo acumula vitórias, sobe na tabela. Justo, quatro ou cinco times brigarão pelo titulo nos próximos anos e conforme-se. Essa é a fórmula de pontos corridos.

Claro que o esquema é suscetível a surpresas, mas serão só surpresas - afinal, o Wolfsburg foi o campeão alemão na última temporada- times desorganizados, mal geridos, não lutarão pelo titulo e não adianta vaiar.

Torcedores, acostumem-se com o tamanho de seus times. Ah, mas na verdade já cansei desta história.