Sobre mais uma "andança" futebolística
DISTINTOS e PARECIDOS
“Já não me importa se perder, já não me importa se ganhar. É uma festa”. Um dos refrões da torcida do Peñarol, que há algum tempo não sabia o que era entrar em campo contra o Nacional na condição de favorito, explica o momento dos dois maiores clubes do Uruguai.O futebol não tem o prestígio de outrora, mas em momentos como o clássico a paixão se reaviva.
No último domingo, no estádio Centenário, “os carboneros”, como são conhecidos os torcedores do Peñarol, eram pouco mais da metade dos 60 mil hinchas. O 0 a 0 no placar não impediu a celebração dos torcedores. Campeão do Clausura 2010, o time ouro e negro manteve sua invencibilidade de 13 jogos na competição. Para os rivais, o resultado não foi de todo negativo. O Nacional já está há seis clássicos sem conhecer uma derrota.
Durante os 90 minutos do clássico, a cantoría nas arquibancadas foi intensa, como se a disputa mais importante acontecesse mesmo entre “carboneros e bolsos”. Apesar do forte esquema de segurança armado pela policía, bandeiras e fogos de artifício são liberados.
Na cancha, o gramado danificado por causa da chuva que caiu forte horas antes do jogo deixou a partida ainda mais brigada. Equilíbrio no número de chances no primeiro tempo, equipes armadas defensivamente na segunda etapa.
Mas o momento de reviver a paixão por Nacional e Peñarol parece uma excessão. Assim como a velha capital uruguaia parece viver esquecida no tempo, aos poucos o mesmo parece acontecer com o futebol. No dia a dia, é muito comum ver nas ruas, as pessoas vestindo camisas de clubes argentinos, é o futebol vizinho que domina as transmisssões de TV.
Entre os torcedores, uma opinião comum “Claro que gostamos de nossos clubes, mas nosso futebol é muito lento. O campeonato argentino é mais competitivo”, palavras recorrentes na boca de varios uruguaios, dos mais fanáticos, aos que já não dão mais tanta importancia ao futebol.
Na saída do deteriorado Centenário, nenhum lamento e uma surpreendente atmosfera de paz entre os rivais, que se mesclavam pelas ruas vizinhas. A expectativa agora volta-se para a disputa do Anual, que provavelmente colocará os rivais mais uma vez frente a frente. Entre carboneros e bolsos, o reconhecimento do equilíbrio, a valorização do futebol brigado que já foi motivo de tanto orgulho. Na opinião dos torcedores, um verdadeiro classico, mesmo que as palavras carregassem certo tom de melancolia.
Vc precisa escrever mais por aqui, moça
ResponderExcluirEu sempre me pergunto o porque que não unificam os campeonatos uruguaio e argentino. O Nacional e o Peñarol passam o ano inteiro jogando com time semi-profissional. É uma pena não jogarem numa liga que proporcione jogar ao menos com clubes do mesmo tamanho. Ah! E bem legal as fotos.
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